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Prata de lei e prata 90: diferenças, origens e como compreender cada uma

Ao lidar com objetos de prata — sejam talheres, bandejas, centros de mesa ou peças decorativas — dois termos aparecem com frequência: prata de lei e prata 90.

 

Embora muitas vezes confundidos, eles designam materiais, técnicas e tradições distintas, cada uma com sua própria história e função.

 

Compreender essas diferenças é essencial para quem valoriza qualidade, procedência e permanência — princípios que orientam a curadoria da Arve.

 

O que é prata de lei

Imagem: Estribo em prata de lei, elaborado com as técnicas de batimento, repuxo e cinzelamento, que conferem forma e ornamentação à peça. Produzido no Brasil, no princípio do século XIX, o estribo combina funcionalidade com a sofisticação do trabalho em prata. 11 cm (A) x 9 cm (L) x 21 cm (P). Acervo Arve.

 

A prata de lei é uma liga metálica composta geralmente por 92,5% de prata pura e 7,5% de outros metais, normalmente cobre.

 

Essa proporção — conhecida internacionalmente como Sterling Silver — tornou-se padrão porque a prata pura, em estado isolado, é excessivamente macia para objetos de uso.

 

A adoção da prata de lei como referência ocorreu na Europa a partir da Idade Média, especialmente na Inglaterra, França e Portugal, onde a prataria estava ligada tanto à vida doméstica quanto a contextos religiosos e cerimoniais.

 

Para garantir controle e autenticidade, os Estados passaram a exigir marcas de punção, que indicavam teor, local de produção e responsabilidade do ourives.

 

Peças em prata de lei são maciças, ou seja, todo o objeto é feito da liga de prata — não há revestimento.

 

Por isso, apresentam:

- maior densidade e peso;

- possibilidade de polimento e restauração contínuos;

- alto valor material e histórico.

 

No colecionismo, a prata de lei é tradicionalmente associada a ourivesaria clássica, peças litúrgicas, serviços de mesa aristocráticos e objetos de representação institucional.

 

O que é prata 90

Imagem: Conjunto em prata da tradicional manufatura brasileira Fracalanza, composto por 8 peças. Fundada em 1884, em São Paulo, a Fracalanza destacou-se como uma das principais fabricantes de pratarias e metais nobres do país, símbolo de elegância e qualidade no serviço à mesa. Acervo Arve.

 

A prata 90 não indica uma liga maciça, mas sim um padrão histórico de prateação, desenvolvido no século XIX a partir do avanço dos processos industriais aplicados aos objetos de mesa.

 

Nesse sistema, a prata é aplicada como uma camada espessa sobre um metal base — geralmente cobre ou latão — por meio de técnicas de prateamento eletrolítico.

 

A numeração “90” corresponde a uma classificação tradicional de qualidade e espessura do banho de prata, baseada em antigos padrões industriais europeus, que tomavam como referência a quantidade total de prata empregada no prateamento de um conjunto padrão de peças. Trata-se, portanto, de um indicador histórico de qualidade, e não de uma medida literal ou mensurável de teor de prata no objeto final.

 

Esse método permitiu a produção de peças visualmente próximas à prata maciça, com regularidade técnica, bom acabamento e maior durabilidade, tornando esse tipo de objeto amplamente difundido em contextos domésticos e institucionais.

 

Manufaturas europeias como Christofle tiveram papel fundamental no aperfeiçoamento desses processos, elevando a prata prateada a um patamar técnico e estético reconhecido internacionalmente.

 

No Brasil, marcas como Wolff consolidaram esse tipo de produção ao longo do século XX, especialmente em peças de mesa e objetos decorativos.

 

Uso, durabilidade e conservação

Imagem: Conjunto Wolff composto por bandeja, bule, chaleira, leiteira e manteigueira, produzidos em metal com banho espesso de prata (Prata 90), técnica que garante brilho duradouro, resistência e acabamento refinado. Fundada no Brasil no início do século XX, a Wolff é reconhecida como uma das mais tradicionais marcas de prataria do país. Acervo Arve.

 

As peças em prata 90 foram concebidas, desde sua origem, para uso frequente, combinando resistência, bom acabamento e estabilidade formal. Quando bem conservadas, podem atravessar décadas — e até gerações — preservando integridade estrutural e presença estética.

 

No universo do colecionismo, é importante distinguir prata 90 e prata de lei como soluções técnicas e categorias distintas.

 

A prata de lei, por ser maciça e conter alto teor de prata pura, tende a apresentar valor material mais elevado, já que o próprio peso do metal precioso influencia diretamente sua cotação. No colecionismo, esse tipo de peça costuma ser avaliado tanto por critérios históricos e formais quanto por seu valor intrínseco como metal.

 

Já a prata 90 não deve ser compreendida como uma versão inferior, mas como uma solução técnica diferente, desenvolvida para atender a outra finalidade. Seu valor está associado principalmente à qualidade e espessura da prateação, ao desenho, à manufatura, à marca e, sobretudo, ao estado de conservação — e não ao peso da prata aplicada.

 

Nesse contexto, conjuntos históricos em prata 90 são amplamente valorizados quando apresentam banho espesso bem preservado, desgaste homogêneo e qualidade formal consistente, refletindo o rigor técnico e estético de sua época de produção. Porém, a prata de lei costuma ter um patamar totalmente diferente em termos de valores comparada à prata 90.

 

Como identificar prata de lei e prata 90

Imagem: Marca da manufatura Christofle em peça de prata 90. Acervo Arve.

 

A identificação correta passa por alguns pontos objetivos:

- marcas e punções gravadas na peça;

- indicação de teor (925, Sterling) ou classificação (90, 100, etc.);

- peso e resposta ao polimento;

- observação de áreas de atrito, onde a prateação pode revelar o metal base.

 

Na Arve, essa análise faz parte do processo curatorial: apenas peças estruturalmente sólidas, bem conservadas e coerentes com sua origem integram o acervo.

 

Material, história e permanência

Seja em prata de lei ou prata 90, estamos falando de objetos que carregam tradição, técnica e cultura material.

 

Entender essas diferenças não é apenas uma questão de nomenclatura — é reconhecer o valor do ofício, da história e da longevidade dos objetos bem feitos.

 

Conheça as peças em prata de lei e prata 90 no acervo da Arve

 

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