Ao voltar das campanhas de Hideyoshi na Coreia, encerradas em 1598, o senhor de Satsuma, Shimazu Yoshihiro, trouxe consigo cerca de oitenta oleiros coreanos. Instalados no sul de Kyushu, encontraram argila, mas nenhum caulim como o de Arita — ausência que definiu tudo o que veio depois.
A cerâmica japonesa separa duas famílias que o português reúne numa palavra só: tōki, a louça de barro, e jiki, a porcelana translúcida. Não é hierarquia, é matéria diferente. Satsuma pertence à primeira, a linhagem que a cerimônia do chá prezava pela textura e pela irregularidade.
Daí vêm suas duas marcas. O craquelê, kannyū, nasce da contração desigual entre corpo e esmalte no resfriamento e dá profundidade à cor. E a pasta porosa segura o ouro como a superfície vítrea da porcelana não seguraria — daí o moriage, relevo erguido em pasta antes do douramento.
A consagração veio nas exposições de Paris, 1867, e Viena, 1873. A demanda ocidental levou a produção a Kyoto e Yokohama — o Kyo-Satsuma, por oposição ao Hon-Satsuma de Kagoshima. Foi nesse comércio que o Ocidente passou a chamá-la de porcelana.