Sobre:
Antônio Batista de Souza nasceu em 1925 em Braga, Portugal, filho de um ceramista, e chegou ao Brasil com a família no ano seguinte. Trabalhou em Araguari e Uberlândia fazendo peças utilitárias, chegou a montar duas olarias que faliram e passou uma longa temporada entre indígenas na Ilha do Bananal.
O nome veio em 1957, por sugestão da folclorista Regina Lacerda, que o orientou a assinar as figuras de barro. Poteiro era quem fazia potes: o ofício herdado do pai virou identidade artística, e a produção utilitária deu lugar à figuração.
Sua obra mistura o sagrado e o profano sem hierarquia — histórias bíblicas, festas populares, cotidiano rural e pura imaginação convivem na mesma cena. A composição é sempre cheia, de personagens e ornamentos empilhados, sem área de repouso: o horror ao vazio é método, não excesso.
Do barro passou também à pintura, onde manteve a mesma lógica de acúmulo, e é hoje considerado um dos mestres da pintura popular brasileira. Morreu em Goiânia, em 2010.
Obras do artista integram acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Museu da Casa Brasileira.