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Cerâmica Satsuma

Província de Satsuma, Japão — cerâmica desde o início do século XVII

Satsuma não é porcelana, e a diferença é o que define a peça: cerâmica de pasta clara sob esmalte marfim finamente craquelado, que recebe esmaltes policromos e ouro em relevo. Nasceu de oleiros coreanos levados à força ao sul do Japão e virou, na era Meiji, um dos itens japoneses mais cobiçados pelo Ocidente.

Ao voltar das campanhas de Hideyoshi na Coreia, encerradas em 1598, o senhor de Satsuma, Shimazu Yoshihiro, trouxe consigo cerca de oitenta oleiros coreanos. Instalados no sul de Kyushu, encontraram argila, mas nenhum caulim como o de Arita — ausência que definiu tudo o que veio depois.

A cerâmica japonesa separa duas famílias que o português reúne numa palavra só: tōki, a louça de barro, e jiki, a porcelana translúcida. Não é hierarquia, é matéria diferente. Satsuma pertence à primeira, a linhagem que a cerimônia do chá prezava pela textura e pela irregularidade.

Daí vêm suas duas marcas. O craquelê, kannyū, nasce da contração desigual entre corpo e esmalte no resfriamento e dá profundidade à cor. E a pasta porosa segura o ouro como a superfície vítrea da porcelana não seguraria — daí o moriage, relevo erguido em pasta antes do douramento.

A consagração veio nas exposições de Paris, 1867, e Viena, 1873. A demanda ocidental levou a produção a Kyoto e Yokohama — o Kyo-Satsuma, por oposição ao Hon-Satsuma de Kagoshima. Foi nesse comércio que o Ocidente passou a chamá-la de porcelana.

Carrossel
Prato Satsuma, em porcelana, Japão, século XIX. Museo Nazionale di Palazzo Reale, Pisa.
Carrossel
Prato Satsuma, em terraglia policromada, Japão, c. 1890. Museo Nazionale di Palazzo Reale.
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